sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Aos meus guerreiros

Não é fácil ser homem. Parece-me que, mesmo tudo o que apontamos vulgarmente como facilidades, "presentes" oferecidos aos homens nesta vivência patriarcal, são na verdade grandes armadilhas que prendem a maioria dos homens a uma existência estagnada, na qual o que é nunca chega a ser realmente. 

Na opressão, as mulheres apuraram estratégias de luta e libertação. Ofuscados no engano do poder e da força, os homens deixaram-se ficar num conforto dormente, empurrando medos, anseios e desejos para um fundo tão fundo que se torna tão inatingível como as lágrimas que aprenderam a conter. Assumir quem realmente são, libertar-se dos papéis e comportamentos estereotipados, arriscar ser alvo de crítica, passar a fazer parte duma qualquer minoria e não da maioria, são ideias que afastam grande parte dos homens de realizar qualquer tipo de busca interna, só por medo do que possam encontrar nos confins de si mesmos. 

Mas não é assim com todos os homens. Existem por aí verdadeiros guerreiros que arriscam sair da imensa zona de conforto criada à sua volta, dessa gaiola dourada infantilizada e embrutecida. Existem por aí homens com "H" grande à procura de si mesmos, num compromisso honrado e honesto. Assisto emocionada a estes processos masculinos, tão belos quanto dolorosos. A cada passo, a cada libertação, vejo surgir a verdadeira força, o verdadeiro poder masculino que nunca está onde nos disseram que estaria. Está na lágrima, no abraço sentido, no sorriso que ainda guarda em si a criança, na simplicidade e no pragmatismo de pensamento e de acção. Está no assumir da fraqueza e da fragilidade, na sensibilidade vivida sem freios. A força do homem está na liberdade interior, na consciência que a liberdade que lhe foi oferecida é uma ilusão. 

Tenho a honra de ter alguns destes guerreiros na minha vida. E se as mulheres são para mim uma fonte constante de conhecimento e sabedoria, estes guerreiros elevaram o masculino dentro de mim, porque me mostraram a sua verdade. Foi com estes guerreiros que aprendi sobre a ilusão da dualidade, porque são eles que me mostram constantemente que somos tudo e não apenas partes, metades isoladas. 

A todos eles, e especialmente ao guerreiro que tenho ao meu lado há 16 anos, o meu profundo agradecimento. Admiro-vos muito e tenho cada vez mais consciência da importância dos caminhos que têm desbravado e que ajudarão outros a caminhar. Meus mestres, meus irmãos, o meu eterno amor. 



Fotografia Rute Violante

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