"Gravidez não é doença", ouvimos vezes e vezes sem conta. Pois não, não é. O problema é que esta frase faz parte de uma mentalidade que banaliza a gravidez e nos afasta do seu aspecto sagrado, como se o milagre de gerar vida fosse apenas um estado clínico específico, que, não sendo doença, não exige mais que uma observação médica regular.
Quando e porquê nos esquecemos de nos maravilhar com este milagre? Até o facto da ciência nos permitir entender muito sobre este processo de gerar vida nos deveria maravilhar ainda mais, mas não. Para a maioria das mulheres a gravidez é vivida enquanto se mantêm todas as rotinas diárias, deixando pouco ou nenhum espaço para sentir e pensar a gravidez e o pequeno ser que cresce dentro de nós. Mais uma vez nos é exigida produtividade e constância, até perante o mais importante processo das nossas vidas, ao qual cedemos a nossa força vital. Uma gravidez plena e consciente implica um constante remar contra a maré porque tudo à nossa volta nos afasta e nos distrai do essencial.
Quando e porquê nos esquecemos de nos maravilhar com este milagre? Até o facto da ciência nos permitir entender muito sobre este processo de gerar vida nos deveria maravilhar ainda mais, mas não. Para a maioria das mulheres a gravidez é vivida enquanto se mantêm todas as rotinas diárias, deixando pouco ou nenhum espaço para sentir e pensar a gravidez e o pequeno ser que cresce dentro de nós. Mais uma vez nos é exigida produtividade e constância, até perante o mais importante processo das nossas vidas, ao qual cedemos a nossa força vital. Uma gravidez plena e consciente implica um constante remar contra a maré porque tudo à nossa volta nos afasta e nos distrai do essencial.
Este processo de banalização da gravidez é mais uma face do patriarcado e da sua constante desvalorização do feminino, mas não me parece que seja apenas isso. Na verdade, é um processo de enfraquecimento humano, uma retirada de poder a homens e mulheres. A força e o poder são colocadas na tecnologia, na artificialidade do produzido/consumido, fazendo-nos esquecer a maravilha tecnológica que são os nossos corpos (grata Lili) e a centelha divina que habita em cada um de nós.
Assim, parece-me essencial remar contra a maré, e dar à minha gravidez a importância e a deferência que merece, custe o que custar.
Assim, parece-me essencial remar contra a maré, e dar à minha gravidez a importância e a deferência que merece, custe o que custar.
Viver a gestação de um novo ser humano rendidos à maravilha e ao milagre é uma forma de luta e de resistência. Por toda a humanidade.
