segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Um plano para 100 anos

Parece que há um provérbio chinês (ou será um provérbio do facebook? Hoje em dia nunca sabemos...) que diz qualquer coisa assim: "Se o seu plano for para um ano, plante arroz! Se o seu plano for para 10 anos, plante árvores! Se o seu plano for para 100 anos, eduque pessoas!" Eu cá nunca gostei muitos de planos, o verbo planear desfaz-se demasiadas vezes perante a realidade. Planear trabalho ou tarefas faz-me sentido, planear a vida nem por isso. Acontece que chego aos 42 anos com uma casa, um marido, três filhos, cinco gatos, uma cadela, uma tartaruga, um jardim e um vazio enorme sobre a direcção da minha vida profissional. Um vazio que me levou a um moderno "burnout", traduzido numa baixa de quase um mês, recheada a ansiolíticos e afins. Quando o descanso me permitiu voltar a reflectir com clareza, percebi que não fazia a mínima ideia do que fazer. Se calhar por ser Verão, essa enorme página em branco que constantemente me surgia não me inquietou muito. Estava segura que a leveza das férias me iria trazer algum sinal, alguma pista. Por outro lado, tornava-se cada vez mais claro que o que me define pouco tem a ver com o que faço para por comida na mesa. Mas o que me define afinal? Um dia atrás do outro e os meus pensamentos eram subitamente interrompidos ora por uma ligeira náusea, ora por uma sonolência desmedida, ora por dores e moinhas já bem conhecidas. A todas as minhas questões e inquietações, o Universo devolve-me uma só resposta: o meu quarto filho vem aí. O meu plano afinal está traçado. É longo e ambicioso mas não o trocava por nenhum outro!

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